Reverência ao Senhor – Um Estudo de Ezequiel

Introdução

Por que ler Ezequiel? Pouquíssimos o citariam como seu livro favorito. Sua estranheza e a dificuldade em compreendê-lo são certamente as principais razões. Até mesmo rabinos judeus tiveram dificuldades com ele, especialmente com seu início e fim. O que significa a visão da roda dentro da roda? Como a visão do templo no final do livro pode ser harmonizada com os regulamentos prescritos por Moisés no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia)? De fato, Ezequiel foi rigorosamente estudado por estudiosos judeus antes mesmo de ser reconhecido como texto inspirado por Deus (Escritura Canônica).

Contudo, não devemos evitar este livro apenas por causa de suas dificuldades, visto que ele é reconhecido como texto inspirado por Deus, sendo compreensível e de profundo proveito para aqueles cujos olhos foram abertos pelo Espírito Santo. Como em qualquer parte das Escrituras, nosso principal objetivo ao estudá-las deve ser buscar o que o Espírito Santo deseja nos revelar, como podemos ser corrigidos e como seremos desenvolvidos em justiça (2 Timóteo 3:16).

Ezequiel estava às margens do rio Quebar, na Babilônia, no quinto ano do exílio do rei Joaquim, quando as visões proféticas começaram (Ezequiel 1:1-3). Ele estava entre o primeiro grupo de exilados levados para a Babilônia. Judá estava fragilizada, e Jerusalém ainda resistia. O povo exilado esperava um fim rápido para o cativeiro forçado, para que pudessem retornar à Terra Prometida. Muitos falsos profetas surgiram para lhes dar falsas esperanças de que o exílio terminaria em breve. Ezequiel lhes revela a dura verdade: Judá seria severamente julgada e Jerusalém destruída.

O reino do norte, Israel, havia sido conquistado e levado em cativeiro pela Assíria, cuja política era dividir os povos e dispersá-los por todo o império. Rompendo antigos laços e dependências, seu plano era manter os povos derrotados desorganizados e desorientados. Eventualmente, eles perderiam sua identidade étnica original e se tornariam simplesmente “assírios”. Dessa forma, o reino do norte foi efetivamente destruído.

Quando Judá foi subjugada pela Babilônia, a política de exílio foi drasticamente diferente. Todos os líderes conquistados, trabalhadores qualificados e membros abastados da sociedade foram levados para o coração da Babilônia e tratados muito bem. Foi-lhes permitido estabelecer-se em grupos e progredir dentro do império. Embora sua força tenha aumentado a da Babilônia, isso deixou as regiões mais afastadas do império empobrecidas, sem líderes, sem qualificação e com pouca capacidade de se rebelar. O tratamento dado aos exilados, contudo, permitiu a preservação do povo de Deus e a possibilidade de um futuro retorno à terra de Judá — um retorno que de fato aconteceu!

O primeiro e principal tema de Ezequiel é a soberania e a santidade de Deus. A visão inicial da glória de Deus, apresentada por Ezequiel, conforta os leitores, mostrando que a Presença Divina de fato os acompanhou no exílio. Uma das razões para tal abertura era demonstrar que Deus continuava sendo Deus e não havia abandonado o Seu povo. Seu amor e presença eram constantes.

O povo não havia demonstrado a devida reverência ao SENHOR, sentindo-se angustiado e abandonado (Ezequiel 37:11). Para eles, as questões pareciam ser: (1) De que servia Deus se Ele não queria ou não podia proteger a Sua própria terra?… (2) Como Ele podia permitir que o Templo Sagrado em Jerusalém fosse profanado?… (3) Por que Deus permitiria que o Seu povo escolhido fosse levado para o exílio?… (4) Mesmo que Ele interviesse agora em favor da Sua terra, como isso ajudaria os judeus exilados? Essas eram as perguntas que o profeta precisava abordar. Mas as verdadeiras respostas não seriam encontradas na perspectiva humana — Deus era Deus, e sempre seria Deus, e a responsabilidade do homem não era questioná-Lo, mas sim dar ao SENHOR a reverência que Ele merecia.

Teria Deus sido expulso de Seu templo, ou teria Ele retirado Sua presença de Jerusalém por livre e espontânea vontade? Estaria Ele recuando por incapacidade de defender o que era Seu, ou haveria um propósito maior em Seus planos do que simplesmente defender um pedaço de terra? As respostas podem ser mais fáceis de entender para nós do que foram para o povo exilado, já que foram eles que sofreram imensamente com a invasão babilônica e o cerco de Jerusalém. Talvez, se pudéssemos imaginar o sofrimento humano mais horripilante que se possa conceber, e multiplicar esse horror cem vezes; se pudéssemos nos colocar no lugar das pessoas que testemunharam os assassinatos brutais, a fome terrível, a destruição e a profanação de uma terra e cidade sempre consideradas as mais sagradas do mundo, e que por pouco não sobreviveram ao ataque horrível, provavelmente trataríamos Deus com a mesma incredulidade e desafio. Ezequiel foi chamado por Deus para lembrar ao Seu povo devastado que Ele era, de fato, Soberano e Santo, e que havia um propósito divino em tudo o que havia acontecido a Judá.

O segundo tema destacado em Ezequiel contrasta fortemente com o primeiro: a pecaminosidade total dos homens. Ter consciência da santa glória de Deus significa também perceber o abismo e a depravação terríveis do pecado. O pecado não pode ser varrido para debaixo do tapete; não pode ser embelezado, descartado ou ignorado. É feio, sujo e ofensivo, e não pode coexistir com a Santa Presença de Deus. Essa ideia introduz o terceiro tema: o julgamento é inescapável. Contudo, embora seja difícil compreender quando o julgamento já ocorreu, a intenção de Deus é sempre que ele conduza à restauração. Isso nos leva ao quarto tema de Ezequiel: o retorno do Rei a um novo templo e a plena restauração dos judeus à terra prometida e abençoada.

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