Introdução aos Evangelhos Parte 4 – O Ministério Final de Cristo na Judeia e Pereia

A Viagem a Jerusalém

Apenas seis semanas após a ressurreição de Lázaro em Betânia, Jesus sai do deserto e chega à pequena cidade nos arredores de Jerusalém. O Sinédrio e outros líderes religiosos judeus estavam à procura de Jesus para prendê-lo em segredo e evitar a ira pública, mas este popular "milagreiro" tem a audácia de aparecer à porta deles em plena vista do público! Para piorar a situação, Jesus agora se reencontra com Lázaro, o homem que, após quatro dias morto em um túmulo, atraiu uma multidão grande e curiosa. Se ao menos tivessem conseguido capturar Jesus antes que ele chegasse perto de Jerusalém. Em seus pensamentos, não haveria prisão e morte secretas de Jesus agora, a menos que..

De repente, Lázaro passa a ser alvo do olhar malévolo dos principais sacerdotes. Lázaro precisa ser eliminado! Com a sua morte, o homem que se tornara o ícone mais visível do poder de Jesus, as multidões se dispersariam. Quando a multidão se dispersasse, Jesus poderia ser preso em segredo e morto. Sim, um Lázaro vivo era um incômodo grande demais para eles lidarem com Jesus. Eles não perceberam, porém, que Jesus estava prestes a levar o conflito a um nível superior.

Os inimigos do Messias ficaram atônitos quando o popular rabino entrou em Jerusalém montado em um jumento, como um rei há muito esperado! A multidão reunida em Jerusalém para a Festa da Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos uniu-se aos habitantes da cidade para receber Jesus de braços abertos. Agitavam ramos de palmeira e cobriam o caminho com eles, gritando: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Marcos 11:9). Imagine a fúria dos inimigos de Jesus quando, sob a proteção e aceitação da vasta multidão, o rabino entrou novamente no Templo Sagrado e expulsou os cambistas e os vendedores de animais para sacrifício pela segunda vez. Ficou claro para os líderes judeus, naquele momento, que precisariam de outro plano para lidar com Jesus.

O estilo de ministério do nosso Salvador mudou radicalmente durante esse período. Em primeiro lugar, enquanto Jesus anteriormente evitava o confronto direto com a hierarquia religiosa judaica, Ele agora os confrontava abertamente. O capítulo 23 de Mateus registra a repreensão abrangente e contundente de Jesus a eles. A maneira como Jesus condena a hipocrisia deles contrasta ponto por ponto com o Seu ensinamento sobre o cidadão do Reino nas Bem-aventuranças.

Além disso, Jesus tinha muito pouco tempo para passar com seus discípulos. Seu ministério e ensinamentos diretos tornaram-se ainda mais urgentes. Ele já havia ensinado a eles todas as coisas importantes, mas era hora de uma revisão focada no essencial. Na Universidade do Reino, esses homens estavam prestes a fazer seus exames finais. Se havia uma semana que eles passaram com Jesus que jamais esqueceriam pelo resto de suas vidas, era essa.

Jesus profetizou sobre as condições e eventos mundiais que ocorreriam pouco antes de Sua segunda vinda. De todos os avisos que Ele deu, o mais forte diz respeito ao engano religioso. Eles deveriam entender (como nós entendemos hoje) que falsos profetas e até mesmo alguns que se proclamavam o Messias surgiriam e desviariam muitos do caminho certo. Ao compreenderem que o retorno do nosso Senhor seria um evento cataclísmico, inconfundível e mundial, eles poderiam evitar as tentativas de outros de subverter sua fé em Cristo. Em segundo lugar, eles foram instruídos a se prepararem para as terríveis calamidades que sobreviriam ao mundo antes de Seu retorno.

O Senhor também lhes deu outros ensinamentos parabólicos sobre o Reino de Deus, abordando temas como perseverança na oração, verdadeira justiça, divórcio e celibato, o custo do discipulado, liderança servidora, fé infantil, o perigo do orgulho e os perigos de fazer comparações carnais. As últimas parábolas e lições práticas de Cristo relacionavam-se diretamente à Sua segunda vinda: a maldição da árvore infrutífera, o servo fiel e o infiel, a ceia das bodas, as virgens prudentes e insensatas, a parábola dos talentos, o elogio aos fiéis e a condenação dos infiéis.

Na Última Ceia, pouco antes da prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani, o Senhor ministrou a lição de treinamento mais íntima e importante que Seus discípulos já haviam recebido. No cenáculo, Jesus realizou Seu último grande ato de amor por eles antes de Seu julgamento e morte, ajoelhando-se diante deles para lavar seus pés, transmitindo-lhes o princípio mais fundamental do serviço ao Reino: amar uns aos outros como Ele os amou. Jesus pediu apenas uma coisa em troca: que se lembrassem Dele reunindo-se para participar do pão e do vinho em memória de Sua morte. O Senhor também ensinou sobre o ministério fiel, o Espírito Santo, a perseguição vindoura sobre a igreja e outras diretrizes para amar uns aos outros, mas esses assuntos serão abordados nos estudos finais sobre os evangelhos. Infelizmente, não há espaço suficiente neste estudo para abordar tudo o que essas Escrituras contêm. Confiamos, porém, que seu estudo da Palavra de Deus será enriquecido por nosso esforço. Que o Senhor abençoe seu estudo!

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