Introdução aos Evangelhos Parte 3 – O Ministério de Cristo Continua na Galileia

Introdução

A figura central do cristianismo é Jesus Cristo, e o lugar onde podemos aprender mais sobre Jesus é nos quatro Evangelhos. Sem essas fontes, saberíamos muito pouco sobre a vida de Jesus na Terra. Os Evangelhos são relatos que testemunham os atos, ditos, milagres e ensinamentos de Jesus, o Filho de Deus. Eles são baseados em relatos de testemunhas oculares de Jesus.

O que é notável nos relatos das testemunhas oculares desses quatro homens é que seus registros das parábolas e milagres de Jesus são fundamentalmente consistentes entre si. Jesus é apresentado em cada Evangelho como alguém que realiza muitos milagres e ensina por meio de parábolas. Sem a apresentação das parábolas e dos milagres, a história que eles contam sobre nosso Senhor seria bastante superficial.

Como os Evangelhos enfatizam bastante o uso de parábolas por Jesus para ensinar, é importante saber como reconhecer uma parábola, entender do que ela trata e como devemos interpretá-la.

Primeiramente, vejamos o significado da palavra “parábola”. Trata-se de uma palavra grega formada por duas palavras: “para”, que significa ao lado; e “bole”, que significa lançar ou arremessar. Portanto, “parábola” significa lançar ao lado. No contexto das parábolas bíblicas, elas apresentam uma ideia familiar ao lado de outra desconhecida, de modo a facilitar a compreensão da primeira. O Dicionário Expositivo de Vine define parábola como “a colocação de uma coisa ao lado de outra com o objetivo de compará-la”. (W. E. Vine, Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento, vol. 3, pág. 158.)

Uma parábola utiliza linguagem figurada em sua narrativa. Geralmente, pode ser identificada pelo uso de símiles, ou seja, pela utilização da palavra "como" para comparar duas coisas. Nos Evangelhos, as duas coisas comparadas são geralmente narrativas extraídas da natureza ou da experiência humana. Suas histórias de eventos ou circunstâncias naturais apontam para uma lição, conexão ou conclusão celestial. Assim, uma parábola é basicamente uma história terrena com um significado celestial.

Havia dois propósitos principais pelos quais Jesus usava parábolas como seu principal meio de ensino. O primeiro era para que Ele pudesse ocultar a verdade dos corações endurecidos da multidão. Dessa forma, aqueles que realmente desejavam a verdade viriam a Ele, buscando a explicação, como em Mateus 13:36, onde lhe disseram: “Explica-nos a parábola”. Por sua própria natureza, o significado paralelo das parábolas não era explícito ou especificamente dito, de modo que, frequentemente, Jesus explicava o significado das parábolas aos seus discípulos em particular, como em Marcos 4:33-34.

Outro propósito do uso de parábolas por Jesus era revelar. As parábolas ajudavam a transmitir os mistérios do Reino de Deus, comparando ideias etéreas a ideias comuns do dia a dia. Uma vez que os discípulos compreendiam o significado básico das parábolas, as verdades lançavam mais luz sobre como deveriam agir ou o que deveriam dizer. Eles conseguiam aplicar as informações reveladas pelas parábolas à sua caminhada cristã diária.

Ao interpretar as parábolas, porém, é preciso evitar alguns erros. É importante não tentar encontrar a verdade espiritual em cada detalhe da parábola. Parábolas não são alegorias. Numa alegoria, cada elemento é uma representação simbólica de alguma outra ideia ou significado. Uma parábola, contudo, é mais concisa do que uma alegoria e tem como objetivo transmitir uma única mensagem. Portanto, é importante evitar a análise excessiva de uma parábola. A verdade de uma parábola reside em seu significado geral, não em suas partes individuais.

As parábolas nos Evangelhos seguem o tema geral do “Reino dos Céus”. Elas ilustram como é o Reino dos Céus, o caráter daqueles que vivem para o Reino e o caráter do próprio Rei.

Analisando cada categoria, as parábolas basicamente se dividem nos seguintes subconjuntos:

O caráter do Reino
• A Parábola do Semeador
• A Parábola da Semente de Mostarda
• A Parábola do Fermento
• A Parábola do Tesouro Escondido
• A Parábola da Pérola de Grande Valor
O caráter dos servos do Rei

• A Parábola do Bom Samaritano
• A Parábola da Viúva Persistente
• A Parábola do Publicano e do Fariseu
• A Parábola do Administrador Injusto
• A Parábola do Rico e Lázaro
• A Parábola das Dez Virgens
O caráter do Rei
• A Parábola dos Trabalhadores na Vinha
• A Parábola do Filho Pródigo
• A Parábola da Ovelha Perdida • A Parábola
da Moeda Perdida
• A Parábola da Festa de Casamento
• A Parábola da Grande Ceia

Embora haja alguma sobreposição das parábolas em outras categorias, as lições básicas de cada uma se enquadram nos temas listados acima. Os mistérios do Reino dos Céus estão contidos nessas parábolas e são revelados pelo Espírito Santo a cada pessoa que se aproxima dos ensinamentos de Jesus com obediência e fé (Romanos 16:25-26).

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